sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Despedida

É complicado escrever sobre um ídolo. Mais difícil ainda comentar o fim da carreira desse ídolo.
O BolaProMato abre um espaço para outro esporte, nem tão popular no nosso país. Desviemos do futebol e voltemos as atenções por um instante para o tênis.

Gustavo Kuerten era meu herói no esporte. Numa época em que a seleção brasileira, a de futebol mesmo, só nos preocupava e tinha péssimos resultados, o meu time de coração amargava seus piores anos, Rubinho tirava a paciência de todos na F1 e nossa delegação olímpica não conseguia trazer sequer um ouro da Austrália, Guga, ou Guguinha, como chamava minha vó (que hoje assiste os Roland Garros do Céu) nos enchia de orgulho e era o maior e mais carismático representante brasileiro da virada do milênio.

Esse ano é o último da sua carreira. Vitoriosa carreira. Chegou onde nenhum brasileiro jamais sonhou em chegar. E chegou três vezes. O Aberto da França, Roland Garros, maior torneio de saibro do mundo, era como sua segunda casa. E ainda parece ser. Aos 31 anos, Guga aguarda convite para voltar pela última vez às quadras francesas.

Sempre torci muito. Lá no apartamento da minha vó, cada ponto era comemorado como um gol, e os tradicionais gritos quando ele batia na bolinha enchiam a sala. Acho que a tristeza que eu sinto com esse fim de carreira se confunde com a saudade das tardes naquele apartamento, no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Assim como Guguinha tentou voltar sem nunca ter o mesmo prestígio de seu auge, aquelas tardes também não voltarão com a mesma intensidade.

Não sei se o leitor também é fã do Guga, ou de tênis, ou sente a mesma coisa que eu tentei explicar, mas deve ter feito, pelo menos, um minuto de silêncio.

Valeu Guguinha!